Assim na Terra como em Davos

O Fórum Econômico Mundial em Davos abriu sua edição 2008 na quarta-feira dia 23 com um chamado para que os países exerçam “o poder das inovações colaborativas” e, assim, possam efetivamente enfrentar os principais desafios sociais e ambientais que nossas sociedades têm que encarar.  

Ao que parece, todos os anos o mesmo apelo é feito e os mesmos argumentos são repetidos: precisamos de novos mapas que nos apontem novas direções, nos colocando no rumo das necessárias transformações sociais.

Surgem consensos, pactos globais são celebrados e todos concordam com a gravidade do tema e a urgência das soluções. Ainda assim, na verdade sabemos que, enquanto governos e empresas ouvirem esses discursos, mas não forem a fundo nessas questões, não haverá final feliz.

Por enquanto e salvo prova em contrário, o capítulo final dessa história terá que ser escrito por Organizações Sociais do Terceiro Setor e por cidadãos comuns que fazem muito – com muito pouco dinheiro.  

Há anos, Organizações Sociais em todo o mundo criam programas de micro crédito e de serviços financeiros alternativos. Elas combatem a pobreza, lidam com instabilidades econômicas e injustiças sociais, mazelas causadas pelo nosso modelo de desenvolvimento econômico e francamente apontadas no discurso de abertura do ex-primeiro ministro Tony Blair em Davos como sendo as causas de nossos desequilíbrios.  

Há muito, ONGs enfrentam as Mudanças Climáticas quando criam e desenvolvem modelos de energia alternativa e renovável. E, não é de hoje, elas promovem diariamente os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, um por um – os mesmos mencionados em Davos como algo a não ser esquecido pelos governantes e pelo setor empresarial. 

Organizações Sociais não são responsáveis por resolver os problemas do mundo. É um equívoco pensar assim. Resolver problemas sociais e ambientais cabe aos governos – pela sua capacidade de tornar soluções em políticas públicas de larga escala – e às grandes corporações, pela sua capacidade de influenciar a maneira como governos vão se comportar e as decisões que vão tomar.  

ONGs são laboratórios testando e demonstrando soluções inovadoras, muitas delas desenvolvidas por empreendedores sociais com o mesmo pragmatismo com que empreendedores do setor empresarial agem. Essas soluções, replicadas em escala, poderiam resolver com competência boa parte dos problemas que enfrentamos globalmente.  

Mas como qualquer instituição, social ou empresarial, Organizações Sociais precisam de recursos financeiros para existir, na forma de investimentos adequados e de capital apropriado, para que possam assim continuar fazendo a sua parte em prol de um mundo melhor. O mesmo mundo que ocupa e preocupa as pautas e conversas em Davos.  


 

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